SURDOLIMPÍADAS

Porque os surdos não entram na categoria paraolímpica?

Criada exclusivamente para atletas sem audição, a Surdolimpíada foi disputada pela primeira vez em 1924, na França, com nome de Jogos Internacionais Silenciosos. O torneio, organizado pelo Comitê Internacional de Desportos de Surdos, ocorre a cada quatro anos, e em 2017 teve disputas em 22 modalidades.

A participação do Brasil no evento começou em 1993, na Bulgária. Na última edição, em 2013, a delegação brasileira, formada por 19 atletas, conquistou quatro medalhas – uma de prata e duas de bronze, na natação, e outra de bronze, no caratê.

Só pode participar quem tiver perda na audição acima de 55 decibéis nos dois ouvidos. No entanto, atletas surdos não se encaixam na categoria paralímpica. Eles fazem uma competição específica com as mesmas regras das pessoas sem deficiência. O que muda é a forma de comunicação e também a adaptação do som para algo visual (no futebol, por exemplo, troca-se o apito pela bandeira vermelha).

RESULTADO 2017

O Brasil ganhou cinco medalhas na 23ª edição da Surdolimpíada, realizada este ano em Samsun no norte da Turquia. O nadador Guilherme Maia conquistou a inédita medalha de ouro, na prova de 200 metros livres, e também a de bronze, nos 100 metros livres.  As outras medalhas foram levadas por Heron Rodrigues, no caratê, Alexandre Fernandes, no judô e pela equipe de futebol feminino, que derrotou a equipe da Grã Bretanha.

DEBORAH DIAS DE SOUZA, PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS DE SURDOS (CBDS), FALA SOBRE AS SURDOLIMPÍADAS.

Participar da maior competição do mundo é algo que ninguém consegue explicar. Foi maravilhoso e será sempre lembrado. Foi um momento inesquecível!”. A afirmação é de Deborah Dias de Souza, deficiente auditiva, que representou o Brasil na 23ª edição das Surdolimpíadas da Turquia, em julho deste ano, e trouxe medalha de bronze para o país.

Apesar de todos os obstáculos que enfrentou desde a infância, Deborah se supera a cada dia. Primeiro, passou no concurso do TSE e, desde 2016, faz parte do time de futebol feminino que ficou em terceiro lugar durante o campeonato.


“A conquista da medalha de bronze foi algo inesperado, pois a maioria de nós da seleção de futebol praticava futsal. No início, tivemos dificuldade em adaptar para o gramado, com maior tempo (90 minutos) e com as trocas limitadas, pois só podem substituir no máximo três vezes”, disse Deborah.

Deborah explicou também que a equipe conseguiu treinar apenas uma vez por mês e que as jogadoras estão espalhadas pelo Brasil e têm sua vida cotidiana (estudam e trabalham para o seu sustento). Por isso, a importância nas Surdolimpíadas para a atleta é mostrar ao Brasil a deficiência “invisível” pela qual todas elas passam.

“O campeonato foi importante para que as pessoas pudessem nos conhecer melhor, assim como interagir com surdoatletas praticamente do mundo todo. Dessa forma, a competição traz muita união, melhora autoestima, o relacionamento e inclui a comunidade surda e ouvinte”, afirmou.

Ao avaliar a sua participação em esportes, Deborah afirmou que tem sido muito produtiva, já que passou por diversas modalidades, como natação, handebol e futsal.

“E agora, essa oportunidade do gramando durante as Surdolimpíadas foi o máximo, pois é o maior evento desportivo do mundo, mesmo sendo reserva já estava valendo muito, ansiosa esperava entrar em campo a qualquer momento. E quando isso aconteceu, em dois jogos, fiz o meu melhor possível no gramado, impedindo os gols dos adversários”, contou empolgada.

“É um grande orgulho, principalmente, ter representado o Brasil e trazer essa medalha. A equipe da CBDS (Confederação Brasileira de Desportos de Surdos) trabalhou muito bem, enfrentando todas as dificuldades e obstáculos ditos ‘normais’ no decorrer do processo de aquisição de recursos. Mas, graças a Deus, conseguimos o apoio do Ministério do Esporte e da Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal, o que resultou na realização do sonho de uma Delegação Surdolímpica de 140 integrantes”, comentou a atleta. 

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